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Evandro Gussi

Presidente da Unica, União da Indústria de Cana-de-Açúcar

As-AA-19

O mundo pede mais energia
Em 2018, o consumo de energia primária global cresceu 2,9%, quase o dobro da média dos últimos 10 anos, de 1,5% ao ano, segundo o relatório BP Statistical Review of World Energy 2019. O avanço da demanda gerou um aumento de 2% das emissões de carbono no mundo, mais rápido do que em qualquer outro momento desde 2010/2011. Esse volume de emissões equivale a um incremento de 30% da frota global de automóveis. 
 
A população mundial demanda por mais energia ao mesmo tempo em que espera de seus governantes ações concretas que mitiguem o aquecimento global. Como conciliar dois pedidos que, aparentemente, caminham em direções apostas? 
 
O Brasil, comprovadamente, tem a resposta. O mesmo relatório da BP apontou que, em 2018, o País registrou crescimento de 1,3% no consumo de energia primária e, por outro lado, reduziu em 3,5% as emissões de CO2. Chave para isso são as fontes renováveis de energia.  
 
Em suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês), como parte do Acordo de Paris, ratificado durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP21), de 2015, o Brasil se comprometeu a reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE), até 2025, em 37% abaixo dos níveis de 2005. Como contribuição indicativa subsequente, estabeleceu a meta de reduzir as emissões de GEE em 43% abaixo dos níveis de 2005, até 2030. As estratégias para isso incluem alcançar uma participação estimada de 45% de renováveis na composição da matriz energética em 2030 e o restauro e o reflorestamento de 12 milhões de hectares de florestas. 
 
Nesse cenário ambicioso de descarbonização, a cana-de-açúcar continuará sendo protagonista, tanto da matriz elétrica quanto de combustíveis. Isso porque o etanol de cana reduz em cerca de 90% a emissão de GEE em comparação com a gasolina quando analisado todo o ciclo de vida do combustível. 
 
Nosso etanol é reconhecido internacionalmente como menos poluente. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos caracteriza o etanol de cana-de-açúcar como combustível avançado, capaz de proporcionar uma redução de 61% a 90% de emissões de GEE. 
 
Olhando para trás, o etanol hidratado que abastece a nossa frota flex e o anidro adicionado em 27% à gasolina já fizeram muito por nossa descarbonização: evitaram que 535 milhões de toneladas de CO2 fossem lançadas na atmosfera entre março de 2003, data de lançamento da tecnologia flex, e fevereiro de 2019. Sem contabilizar o que foi evitado desde o lançamento do Proálcool, nos anos 1970. 
 
E vamos ainda mais longe com a Política Nacional de Biocombustíveis, que entra em vigor no dia 24 de dezembro deste ano. O RenovaBio é uma das ações mais bem estruturadas de descarbonização da matriz de transportes já criada por um país em reposta ao Acordo de Paris. Até 2030, o aumento da participação dos biocombustíveis, etanol e biodiesel, proporcionará a redução de 847 milhões de toneladas de CO2 lançadas na atmosfera. A meta, decenal, é atualizada a cada ano, proporcionando uma contínua redução da participação de combustíveis fósseis. 
 
Vale ressaltar que, além de CO2, o etanol de cana-de-açúcar proporciona uma redução expressiva na emissão de outras substâncias tóxicas e material particulado, extremamente nocivos à saúde, proporcionando melhor qualidade do ar nas cidades e menos gastos com saúde. 
 
Para além da redução de emissões de GEE no próprio veículo, o RenovaBio prevê um mecanismo de mercado, o Crédito de Descarbonização (CBio), que induz a redução de emissões em todas as etapas de produção do biocombustível, garantindo que o setor busque constantemente o aprimoramento de práticas sustentáveis. 
 
A energia elétrica de biomassa também oferece uma redução de emissões importante. Cenários elaborados pela equipe do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) e do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), no âmbito do Projeto SUCRE (Sugarcane Renewable Electricity), sugerem que, no cenário de expansão da produção previsto pelo RenovaBio, a biomassa da cana-de-açúcar poderia reduzir em 15,3% as emissões de GEE do setor energético brasileiro.
 
Ou seja, a mais antiga das nossas culturas, a cana-de-açúcar, tem muitos benefícios ainda a ofertar ao nosso País. Graças a um setor produtivo que não se cansa da constante busca por eficiência, sempre aproveitando tudo o que a cana disponibiliza. Estamos preparados para oferecer energia renovável e sustentável para o Brasil e o mundo, mostrando que é, sim, possível conciliar desenvolvimento e aumento de oferta energética com redução de emissões.