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Almir Torcato

Gestor Corporativo da CanaOeste

Op-AA-51

O empoderamento como ferramenta
A Canaoeste é uma das principais associações do Brasil voltada ao fornecedor de cana-de-açúcar. Desde a sua criação, em 1945, a entidade vem contribuindo para o fortalecimento da cadeia produtiva canavieira, atuando decisivamente em movimentos que auxiliam os agricultores, participando de comissões nacionais e estaduais, sempre visando ao desenvolvimento do segmento com sustentabilidade. 
 
Nesse sentido, a Canaoeste dá um “show de cobertura”. Com sede em Sertãozinho-SP, coloca à disposição do associado 12 escritórios regionais, além da equipe formada por 11 engenheiros agrônomos e uma gestora técnica. 
 
A associação também garante o amparo aos fornecedores de cana, evitando que tenham seus direitos violados, e oferece suporte aos associados, do plantio à colheita, inclusive nas questões topográficas, jurídicas e ambientais. É um conjunto de profissionais e de serviços, que garantem uma safra tranquila aos seus 2450 associados ? em sua grande maioria, pequenos produtores que congregam, hoje, 9 milhões de toneladas. A nova fase da Canaoeste, que completou sete décadas de atividades no dia 22 de julho de 2016, se deu por meio do projeto 
 
“Caminhos da Cana”, a exemplo do que foi feito na Orplana, que promove um trabalho de reestruturação conduzido pela Markestrat (Centro de Pesquisas e Projetos em Marketing e Estratégia da USP), coordenado pelo professor Marcos Fava Neves. O projeto definiu uma série de ações, com diretrizes estratégicas, de forma a se modernizar, crescer e prosperar, bem como estar atenta aos desafios da adequação às mudanças que o mundo globalizado propõe, com reflexões sobre os caminhos percorridos até então, projetando, assim, a sua perenidade. 
 
Nesse contexto, o primeiro passo para iniciar a reestruturação seria a contratação de um gestor executivo, quando, então, fui convidado a assumir o posto, podendo, assim, ajudar no renascimento de uma nova Canaoeste. Depois de 13 anos de casa, continuar contribuindo para a entidade coordenando esse projeto, que visa colocar em novo patamar a associação, é um desafio que estimula e também um reconhecimento que recebi com muita satisfação. Sigo pautado pela convicção de que a gestão voltada ao treinamento, capacitação e valorização das pessoas, garantindo a motivação da equipe, só pode gerar resultados positivos, visto que não há gestão sem empresas, e não há empresas sem pessoas.
 
Empowerment ou empoderamento foi a principal ferramenta para a implantação do plano, que tinha como essência trabalhar a gestão no contexto global da entidade. A iniciativa começou com o reconhecimento da importância de dar autonomia ao funcionário, fortalecer o trabalho em equipe e descentralizar o poder para se tornar mais eficiente. A base do processo trabalha diretamente as seguintes linhas:
a) visão compartilhada: comunicação assertiva, mostrando os rumos que a entidade deveria tomar e os principais gargalos. De certa forma, fez com que que todos se sentissem responsáveis pelo resultado, na busca do objetivo;
b) estrutura organizacional: renovamos 60% nosso board de diretoria consultiva, a participação nas tomadas de decisão com as reuniões mensais, o monitoramento constante do resultado minimizou riscos e a decisão era sempre acordada e direcionada pelos 12 integrantes, com o mesmo propósito de fazer a entidade prosperar; 
c) responsabilidade: propostas discutidas com a equipe de execução, nesse sentido, confiança mútua;
d) reconhecimento institucional: ouvir a equipe, e  recompensar resultado: é nesse ponto que todos acabam por assumir a responsabilidade das suas ações.
 
O empoderamento propicia um bom planejamento e a execução das tarefas, contudo um plano estratégico bem definido, com direções claras é primordial. É preciso ter clareza nas atitudes, no que desejamos para o futuro, pois esse resultado guiará as ações organizacionais, pautando as diretrizes da mudança. Como gestores, temos a função de embaixadores do projeto, dispostos a esclarecer todo o conceito de maneira a evitar falta de entendimento dos objetivos estratégicos, mitigando, assim, fatores que possam contribuir para o insucesso da implantação.
 
Ciente desde o início que o trabalho envolvia uma demanda maior visando à quebra de paradigmas, até mesmo por questões políticas e culturais, ou falhas internas no entendimento do conceito de planejamento estratégico, o feeling para a redução de traumas de mudanças é imprescindível. Uma mudança malconduzida pode colocar tudo a perder.
 
Concluímos o primeiro ano de trabalho nesse propósito com o claro sentimento de dever cumprido. Trabalhamos, efetivamente, no controle e no acompanhamento orçamentário e fechamos 2016 com um resultado extremamente positivo, comparado aos anos anteriores, saldo esse que, sem dúvida, deverá ser investido para melhorar ainda mais nossa estrutura de serviços. 
 
Dentre as ações previstas no plano de reestruturação da associação executadas no último ano, além da renovação, a reaproximação da diretoria com colaboradores e associados merece destaque, visto que a gestão mais participativa e transparente proporcionou um clima mais otimista, mais um passo na construção da nova Canaoeste.
 
Tivemos a oportunidade de colocarmos o “pé na estrada”, realizando reuniões em todas as cidades onde a associação está presente, para ouvir e atender às demandas dos associados, além de levar e disseminar conhecimento. Também ressaltamos todos os serviços oferecidos pela entidade, mostramos as suas ações de representatividade nas esferas municipais, estaduais e federal, que contemplam defender os interesses da classe.

Mais do que informar, é uma prestação de contas ao associado, que precisa conhecer o trabalho feito pela entidade, pela equipe de diretores e colaboradores, e as ações concretas de representatividade da classe que conseguiremos agregar ao nome Canaoste. Para garantir um feedback positivo, pesquisas de satisfação foram aplicadas em cada encontro, e a conclusão nos mostrou que estamos no caminho certo. 
 
O processo ainda está progredindo, proporcionando mudanças gradativas na visão do profissional da Canaoeste e do associado. É importante esclarecer que, quando se delega com responsabilidade, não há prejuízo de liderança; pelo contrário, os processos tendem a ficar mais eficazes, os papéis mais claros, de maneira que todos se sintam úteis e parte do processo. Como todo processo, esse também exige um tempo para amadurecimento. Uma associação forte é o reflexo de sua diretoria ativa, colaboradores responsáveis e motivados e de um quadro associativo participativo, no qual todos possam ser ouvidos. A associação é feita por eles e para eles. 
 
Ainda no contexto da aproximação, dividimos a área abrangente da associação em cinco macrorregiões, proporcionando, dessa maneira, o acesso mais rápido dos diversos núcleos de associados à entidade, como também ter contato direto com a gestão e com a presidência. Assim, foram formados conselhos regionalizados, no intuito de levar informações, demandas peculiares de cada região, problemas ou até mesmo esclarecer pontos até então não discutidos.

Esse time, por si só, acaba sendo conhecedor da entidade. Isso só tende a corroborar a gestão participativa, próximo daquele que é o nosso foco. É nesse sentido que trabalhamos a nova Canaoeste em 2016 e que serve de alicerce para continuar a implantação; o trabalho continua conjunto, participativo e dedicado, esse foi o principal responsável por encerrarmos bem o primeiro ano dessa nova fase. Que venha 2017!