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Ricardo Amadeu Silva

Diretor-presidente da Transportadora Especialista

Op-AA-36

Logística: problema ou solução?

A área de transporte e logística merece atenção especial das usinas. É diferencial de competitividade para as empresas que fazem uma boa gestão, gerando mais produtividade com menores custos operacionais. Desde o plantio, corte, carregamento e transporte da cana-de-açúcar (CCT), transporte e logística de insumos, até a distribuição do produto acabado, a logística impacta em mais de 30% dos custos globais das usinas.

A boa performance logística começa na homologação dos fornecedores; um bom programa de desenvolvimento de fornecedores (PDF) traz garantia de qualidade e alta performance. Possibilita a visibilidade antecipada dos custos conforme tabelas pactuadas e estudo de volume, bem como garantia de um alto nível de serviço conforme as necessidades da empresa.

Orçamentos bem planejados, mensurando-se  todas as bases da operação e possíveis variáveis, exigem planejamento antecipado e integração de todas as áreas da empresa. Muitas usinas estão dando atenção de qualidade para esse tema, incluindo em seu planejamento estratégico, e já começam a colher bons frutos da logística bem planejada.

Penso que as usinas devam se integrar mais. Vejo a possibilidade de muitos ganhos com a aplicação de uma logística compartilhada, tanto na área de insumos, como com parcerias estratégicas no escoamento da produção. E, principalmente, quando as unidades de negócios estão localizadas dentro de um mesmo cluster regional. Existem muitos casos de sucesso no CCT, transporte de insumos e logística de produto acabado, que podem se “somar” à expertise de cada um e trazer ganhos para todos.

A competitividade das empresas dependem fundamentalmente do planejamento e da gestão dos processos. Em tempos de escassez, é necessária alta performance, que só alcançaremos com a capacitação dos colaboradores e dos parceiros, o desenvolvimento de pessoas e a retenção de talentos, premissas para melhorar a produtividade com baixos custos em todas as áreas da empresa. E isso não é diferente no transporte e na logística.

Colaboradores motivados e capacitados são muito mais eficazes e produzem muito mais. Na minha visão, o comprometimento dos fornecedores de equipamentos também é um fato importante para se obter redução de custos e melhora de produtividade. Eles devem comprometer-se efetivamente com seus clientes, garantindo os resultados ofertados na proposta comercial, além de assessoria e acompanhamento técnico para garantir ao cliente a “produtividade oferecida na venda do equipamento”. A boa aplicação, operação eficaz e manutenção adequada são fundamentais para extrairmos o melhor da tecnologia de cada equipamento adquirido.

Uma empresa sustentável busca parcerias sustentáveis através de relações sustentáveis; essa visão aprofundada dos fornecedores do setor bioenergético tem importância adicional também para separar o joio do trigo dentro dessa cadeia produtiva. A logística eficaz é integrada, e a boa comunicação na logística elimina muitos gargalos, riscos, atrasos nos cronogramas e gastos desnecessários. Facilita a redução de estoques dos almoxarifados e garante a satisfação dos clientes e a estabilidade da empresa.

A economia pode superar os 20% em toda a cadeia produtiva. Infelizmente, vivemos em um país em que o setor bioenergético convive com enormes gargalos de infraestrutura, falta de regulamentação e de fiscalização, problemas portuários, alto custo dos insumos, alta carga tributária e falta de incentivo. O transporte e a logística representam 10% do PIB do Brasil, e, anualmente, são perdidos mais de R$ 22 bilhões nas estradas, com mais de 30 mil mortes, impactos sociais e ambientais. A frota sucateada e as estradas ruins causam um grande impacto em nossa safra, portanto não podemos esperar ajuda vinda através do poder público.

Para produzir mais, melhor e com menos custo em 2013, não existe fórmula mágica. O que precisamos é formar parcerias estratégicas e aproveitar o que parece ser uma safra promissora.