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Arnaldo Ribeiro Pinto

Diretor Presidente da Santal Equipamentos

Op-AA-10

Otimização das operações mecanizadas

A expansão acelerada dos canaviais no Brasil levará, a reboque, a mecanização do plantio e da colheita. É de altíssimo risco, projetar uma nova unidade industrial ou mesmo área de expansão, em locais não mecanizáveis. Primeiro porque a disponibilidade de mão-de-obra para essas atividades, já hoje, está escassa em algumas regiões, e caso haja um crescimento do país, acima dos patamares correntes (2,5 a 3% a.a), a tendência é de redução de oferta, ainda maior que os níveis atuais.

Segundo, porque com o avanço tecnológico das máquinas e práticas culturais, os custos da colheita mecanizada e do plantio tendem a cair, enquanto para os custos da “mão-de-obra + benefícios”, a situação é inversa. A palavra de ordem é “planejamento”. Como não existem usinas sem moenda ou difusor, não existirá plantio e colheita sem máquinas.

As fábricas de colhedoras que estavam dimensionadas para um mercado doméstico médio de 100 colhedoras por ano estão investindo no aumento de produção, para 400 a 500 máquinas por ano. Mesmo considerando a possibilidade de entrada de novos fabricantes no mercado, existe a curva de aprendizado, que deverá ser superior ao pico da demanda previsto para 4 a 5 anos.

O grande desafio da colheita mecanizada é o aumento da produção com qualidade e redução de custos. Qual será este potencial? Adotando a equação:
Pdia = Ton/h x 24h – hp – m   onde:

• Pdia = Produção diária
• Ton/h = Toneladas por hora
• hp = Horas Paradas (manutenção preventiva, corretiva, abastecimento, falta transporte, operador, troca turno, chuva, etc)
• m = Manobras (adotado 13%, referente a talhões de 500 m a 4.000 m/h) chegaremos à produção da máquina.

Como exemplo, vamos analisar a produtividade do canavial de 80 ton/h, a velocidade de deslocamento de 4 km/h, que é um valor representativo atual dos produtores brasileiros. Assim:
Pdia  = 48 ton/h x 24 – 30% - 13% = 701,57 ton/dia
 
O que significa uma produção de 48 ton/h x 24h = 1.152,00 ton/dia. Deduzindo-se 30% de horas paradas pelos motivos acima expostos, teremos 16,8 horas de trabalho; reduzimos, ainda, 13% das horas disponíveis para manobras; considerando talhões planos de 500m; chegamos ao resultado final de 701,57 toneladas por dia, por máquina.

Nesta formulação, podemos observar os ganhos potenciais:

1. Um dos fatores de produção das colhedoras é a velocidade de deslocamento. Segundo estudos do BSES, um renomado instituto de pesquisas Australiano, a velocidade máxima tolerável das colhedoras é de 6 km/h, porque acima desta, a curva de perdas por arranquio de soqueira ou por quebras e estilhaços de cana, aumenta, consideravelmente.

Por outro lado, é muito comum observarmos máquinas trabalhando a 2km/h ou menos. Isto se deve à condição de canavial deitado ou trançado, que é a condição de maior esforço mecânico e operacional na colheita.

Os geneticistas têm buscado o desenvolvimento de variedades eretas, com poucas folhas e de alta produção, que é a situação ideal para o bom desempenho da colhedora. Nesta situação, quanto mais a velocidade for próxima dos 6 km/h, maior a produção.

2. Aumento da produtividade agrícola: Um canavial mais denso irá aumentar a produção da colhedora.

3. Redução de horas paradas: Grandes ganhos de produção podem ser obtidos neste item. Alguns procedimentos simples, como planejamento de troca de turno, horários de refeições, transporte e manutenção preventiva, geram ganhos significativos na disponibilidade das máquinas, podendo chegar a 80% das horas requeridas. A logística de abastecimento de peças, insumos e transporte, será fundamental para se atingir esse patamar operacional.

4. Redução das manobras: o planejamento do correto dimensionamento dos talhões, com comprimento ao redor de 1000 metros, pode levar a uma redução em torno de 50%, no tempo e na quantidade de manobras.

O paralelismo das linhas de cana, seu correto plantio, nivelamento e cultivo, a “limpeza” de paus e pedras, irão complementar as condições de campo ideais para os ganhos de produção, com qualidade. Portanto, apenas para uma referência de ganhos no exemplo anterior, tomamos:

 

  • Velocidade de deslocamento: aumento de 4 para 5 km/h;
  • Produtividade do canavial: aumento de 80 para 100 ton/ha médios;
  • Horas Paradas: redução de 7,2 para 4,8 horas paradas, por dia.
  • Manobras - Redução de 50% nas manobras

Com isso, a produção das máquinas aumentará de 701,57 ton/dia, para 1.340,12 toneladas por dia, ou seja, um ganho de 90%. Paralelamente, o desenvolvimento de máquinas mais eficientes, robustas e com menor consumo de combustíveis, contribuirá para a efetiva redução de custos na colheita mecanizada.