Me chame no WhatsApp Agora!

Alexandre Enrico Silva Figliolino

Diretor Comercial do Itaú BBA

Op-AA-25

O que esperar para o futuro?

Desde o segundo semestre de 2008, quando houve o pico da crise no setor sucroalcooleiro, amplificado por uma crise financeira de proporções planetárias, não podemos reclamar de monotonia, já que uma série de episódios na área de fusões e aquisições, e a própria dinâmica altamente volátil dos mercados de açúcar e álcool, têm nos trazido muitas novidades e apontado para um novo tempo.

Além de todo o processo de consolidação com a criação de vários grandes grupos, com uma entrada de capitais no setor nunca vista anteriormente, temos um processo muito saudável em andamento no qual a maioria das empresas, sejam de que tamanho for, estão correndo atrás de caminhos e desenvolvendo soluções que lhes permitam permanecer saudáveis e competitivas ao longo desse processo.

Durante os últimos anos, vários grupos optaram por vender a totalidade ou o controle do capital de suas empresas como forma de solucionar problemas que estavam passando, sejam eles de ordem financeira, societária ou sucessória, etc. Nesse mecanismo, mais de uma centena de milhão de toneladas de cana em capacidade de moagem trocou de mãos, o que é bastante significativo.

Outro fenômeno interessante tem sido o de vários grupos de porte pequeno, médio ou até grande, procurando um caminho a que chamamos de consolidação porteira para fora, hoje propiciado apenas pelo sistema Copersucar, modelo este muito interessante, pois alia a capacidade de cada um bem tocar seu negócio da porteira para dentro, unindo-se a um grupo inquestionavelmente forte de produtores da porteira para fora – no qual escala é mais que fundamental –, compartilhando logística, grande escala de negociação comercial, estrutura altamente profissionalizada de gestão comercial,  de riscos de variação de preços de commodities e de moedas, etc.

Apesar de já termos alguns  movimentos de empresas procurando união na área de compras, como as realizados pelos grupos Titoto, Santa Adélia e Batatais, e na área de venda, como a Bioagência, decepciona a ausência de um maior número de conversas entre grupos que possuem afinidades filosóficas e regionais que poderiam estar explorando mais a possibilidade de fusões regionais, a que poderíamos chamar de microconsolidação, com a criação de cluster com claros ganhos de escala e aumento de eficiência pela obtenção de óbvias sinergias.

Mas, de uma maneira geral, a desalavancagem do setor está em marcha graças a um bom ano safra 2009/10, que possibilitou uma robusta geração de caixa para aquelas empresas bem estruturadas no lado operacional e financeiro. Foi uma safra complexa, principalmente do ponto de vista dos preços, pela enorme volatilidade ocorrida nos mercados de açúcar e álcool, e do ponto de vista operacional, pelo baixo aproveitamento de tempo e baixo rendimento causado pelas chuvas.

Esses motivos, entre outros, provocaram uma dispersão muito elevada de resultados operacionais, e, quando olhamos, por exemplo, a margem EBITDA sobre vendas, através de dados contábeis fornecidos pelos nossos clientes, encontramos números oscilando entre zero e 40%, o que, à primeira vista, é surpreendente em se tratando de empresas que produzem quase as mesmas coisas.

Essa elevada dispersão de resultados entre os grupos do setor dá uma idéia do quão rico será o cenário para frente em termos de consolidação. Outra coisa muito interessante a se observar também é que, por enquanto, os resultados guardam mais relação com a qualidade da gestão do negócio do que com o tamanho. O que esperar para o futuro? Que se pode arriscar a prever em termos de desenho do setor?

1. Certamente, uma maior concentração, num processo de consolidação comandado pelos grandes grupos com acesso a capital;
2. Aumento dos associados à Copersucar e outros modelos parecidos que possam surgir, e
3. Movimentos de micro-consolidação com fusão de grupos que tenham afinidades ou movimentos na qual empresas mais bem estruturadas absorvem unidades menos estruturadas, contribuindo para a permanência de grupos de médio porte no setor, que precisam encaminhar-se para o estado da arte, em termos de gestão, para competir com os grandes, e é muito importante que tenham bem resolvidas as questões societárias e sucessórias.
4. Por último, veremos, ainda, por algum tempo, unidades vagando à margem do sistema formal, sendo predadas por abutres financeiros, comerciais e pseudoconsultores, até que o juízo final chegue. Curioso que, diferente dos seres humanos, no caso das empresas, os abutres chegam antes do juízo final. Tudo isso leva, certamente, à convicção de que estamos no caminho  certo de um setor mais forte, mais competitivo, com empresas mais preparadas para enfrentar os desafios futuros  que não são poucos.