Luiz Paulo Sant'Anna

Diretor-geral da Cevasa

Op-AA-63

A Cevasa frente aos desafios do cotidiano operacional
Cada vez mais, a atividade agrícola do setor sucroenergético vem aprimorando seus processos, tecnificando e levando o seu foco para as novas tecnologias, a fim de tornar o ambiente de trabalho cada vez mais seguro, sustentável, com máximo de resultados em produtividade e lucratividade.
 
Diante de uma sociedade mais exigente em relação a qualidade de vida e a ações mais sustentáveis em todas as etapas do agronegócio, temos que começar a tomar outros rumos, começando pela parte agrícola, buscando, cada vez mais, os monitoramentos assertivos e confiáveis de todos os seus processos, para as tomadas de decisões mais rápidas. Isso só é possível diante das ferramentas atuais que possibilitam tais ações em tempo real e até mesmo de maneira previsível. 

Meteorologia: Temos 15 estações meteorológicas instaladas em pontos estratégicos, que representam toda a nossa área de produção de cana. Através da transmissão dos dados on-line, diretamente para uma plataforma de dados para o processamento, a partir daí já temos as informações tanto das coletas de dados de temperatura, umidade relativa do ar, como de velocidade do vento, em todos os dispositivos acessados pelos integrantes da empresa.

Imagens de satélite: Atualmente, temos 100% das áreas da unidade cobertas diariamente por imagens de satélite, que, através de uma inteligência artificial, faz uma comparação da imagem atual com as imagens dos últimos 15 dias e, automaticamente, envia um e-mail apontando o aumento ou a queda de biomassa. (Ex: melhor desenvolvimento da cultura, presença de ervas invasoras, ou mesmo uma colheita fora de época).

Planejamento agrícola: Desenvolvemos o planejamento agrícola em uma plataforma da Hexagon, em que elaboramos as simulações do PDA (Plano Diretor Agrícola) das próximas 5 safras, estimando produtividades, estágios da lavoura e até mesmo as necessidades de novas expansões, através do iRef.

Toda partida de safra ocorre baseada em um plano de colheita traçado no iCol, que simula os melhores cenários, levando em consideração diversas variáveis, como época de colheita, variedades de cana, aplicação de vinhaça, raio médio, pragas de solo, reformas de áreas e outros fatores importantes, e, a partir daí, é gerado um plano de colheita que vai ser distribuído para todos os envolvidos, e o mais importante é que o mesmo sistema faz a aderência do cumprimento do plano através da importação dos dados realizados.

O despacho de todos os caminhões para o transporte de cana também é realizado por mais um sistema dessa plataforma, o iFrota, que encontra a melhor condição de atendimento das frentes de colheita também considerando inúmeras variáveis e otimizando ao máximo o número de frotas disponíveis, em uma entrega linear ao longo das horas do dia.

Logística das frentes de colheita: Recentemente, fechamos uma parceria com a Solinftec e, na safra 2020, teremos 100% das frentes da Cevasa operando com 2 produtos da plataforma, sendo que o FUT2 (fila única de Transbordo, em sua 2ª versão) é uma solução que realiza a melhor distribuição de transbordos para atendimento das colhedoras e, com isso, aumenta as horas efetivas de colheita de cana, o que resultará em maior rendimento das frentes de colheita, através da junção inédita no setor das seguintes tecnologias: M2M, Machine Learning e Inteligência Artificial.

E, além do FUT2, que será o nosso maior aliado no aumento de produtividade, otimizando os nossos ativos, teremos também o CDC (Certificado Digital de Cana), que vai substituir o uso das etiquetas de identificação das frotas que, até então, eram feitas de forma manual, ainda no papel, por registros, e até os rastros das máquinas nos talhões que trabalharam na colheita da cana
que compõem cada carga.
 
Segurança veicular: A automação através da telemetria na gestão de riscos da frota leve e veículos de apoio é realizada por  rastreadores que emitem os pontos de localização on-line para uma base de controle com os registros das velocidades, além do uso das cercas eletrônicas e avisos sonoros nos veículos quando excedem a velocidade para a via atual.

Manutenção automotiva e rendimentos  operacionais: A partir das tecnologias disponíveis nos novos equipamentos da John Deere, fazemos o uso do JD Link para realizar o monitoramento on-line dos alertas de falhas, que são emitidas pela própria máquina e nos auxilia nos diagnósticos e no rápido atendimento de manutenção nesses equipamentos; com isso, estamos realizando as devidas intervenções, evitando que as causas primárias não incorram em maiores danos. Já na plataforma do My Operation, trabalhamos com a agricultura de precisão, através dos controladores de vazão do trator, e podemos tanto incluir as recomendações dos insumos agrícolas com aplicação de taxa variável, como também obter os mapas de aplicação e registros da produção da atividade on-line.
 
Gestão operacional da frota: Utilizamos a tecnologia Dynafleet (Volvo), que já vem embarcada de série em 100% dos caminhões que realizam o transporte de cana e vinhaça. Essa tecnologia coleta os dados a partir dos sensores do caminhão e envia direto para um servidor da própria fabricante e, por meio de um portal, disponibiliza para os usuários da unidade fazerem toda a gestão das frotas.

Após um ano de uso dessa ferramenta, conseguimos ótimos resultados na condução segura dos veículos, comprovada com a redução significativa no número de eventos ocorridos, além de redução de combustível e redução nos custos de manutenção dos veículos. Tudo através dos treinamentos com cada motorista, sabendo quais parâmetros deveriam ser melhorados.

De forma a garantir as boas práticas agronômicas, industrialização e administração, desenvolvemos, na empresa, alguns projetos de longo prazo, visando sempre aos pilares da segurança, ética e conformidade, excelência nos processos, respeito às pessoas, meritocracia para nossos integrantes/parceiros e resultados sustentáveis.

Vamos dar ênfase, aqui, nos trabalhos desenvolvidos junto aos nossos fornecedores de cana, com a estruturação da área de tecnologia para apoiá-los na sistematização, com entrega de projetos para a implantação das lavouras, com detalhamento dos talhões, curvas, carreadores, pátios de transbordamentos, sulcos georreferenciados, sempre visando à conservação das áreas e melhor colheitabilidade. Assessoramos as escolhas das variedades de cana para atender ao ciclo de maturação do canavial, bem como elaboramos o Plano Diretor Agrícola ( PDA ) em conjunto com os fornecedores e plano de colheita de cada safra. 
 
Ambos os trabalhos relacionados fazem parte de um pacote de originação sustentável para aquisição de cana de longo prazo, no modelo Consecana/SP com “ATR relativo”, bonificando quando as metas são alcançadas em cada uma das modalidades citadas, incluindo o raio médio do canavial até a unidade. Além dessas ações, criamos workshop de produtividade com reuniões bimestrais, atendendo aos variados temas solicitados por esse grupo de fornecedores, e escolhemos os melhores especialistas do mercado para apresentar as melhores práticas de manejo, produção e novas tecnologias, como também levamos grupos dos principais parceiros para visitar outras regiões de altas produtividades que são benchmark no setor. 
 
As ações que procuramos alinhar na empresa vem ao encontro da necessidade de apoiar nossos parceiros na busca por alternativas de aumentar sua remuneração da cana e que não seja apenas da indústria pelas negociações de compra e venda, mas sim pelo incremento do seu potencial da “porteira pra dentro”, da sua propriedade com as  variedades alocadas segundo seu ambiente de produção, ciclo de maturação e tratos culturais (controles de pragas e doenças, nutrição, uso de corretivos de solo, inibidor de florescimento, pré-maturador, maturadores, otimização do uso dos subprodutos da indústria). 
 
A média Centro-Sul de TAH (tonelada de ATR por hectare) dos últimos dez anos foi de 10,8 t, considerando o Consecana puro como base (100%) e incluindo bônus por raio médio (distância da lavoura até a indústria), colheitabilidade (potencial do rendimento de colheita) e melhores práticas (PDA, PDV). O recebível será de até 119,7 kg de ATR por tonelada de cana, enquanto no cenário de incremento de TAH, chegando até 15 t (já deduzindo os custos adicionais para essa conquista de produtividade), obteremos um adicional líquido equivalente de 28,3 kg de ATR por tonelada de cana, que, somados ao padrão anterior, chegará ao valor final de até 148 kg de ATR por tonelada de cana (esse valor representa 23,6% de variação entre os cenários).
 
Em contrapartida, as operações requerem maiores cuidados quanto ao time de execução e qualidade (perdas, pisoteio, arranquio de soqueiras, impurezas minerais e vegetais). Possuímos também um rigoroso plano de colheita assinado pelas partes antes do início da safra (até março de cada ano), as frotas renovadas com bitola larga, para evitar pisoteio nas linhas, pátio de transbordamentos de cana permanentes, relatório de colheita VIP, que permite aos fornecedores avaliar os serviços prestados e da empresa e avaliar as condições da fazenda e da cana colhida, com único objetivo de tratar os possíveis desvios de ambas as partes, com as notas abaixo de 7, numa escala de 0 a 10.