Eduardo Leão de Sousa

Diretor Executivo da Unica

Op-AA-62

O futuro pautado pelo consumidor
“Estamos trabalhando juntos e em coalizões mais amplas para promover políticas que são benéficas para o meio ambiente, enquanto consideramos os imperativos comerciais específicos de nossas cadeias de suprimentos, incluindo agricultores, pecuaristas e outros produtores.” Essa declaração de intenções faz parte das prioridades da Sustainable Food Policiy Alliance, aliança criada por Danone, Nestlé, Mars e Unilever, nos Estados Unidos, com o intuito de liderar a transformação da indústria de alimentos. 
 
A coalizão entre as grandes empresas é apenas um dos muitos exemplos do movimento global em resposta às grandes transformações que a sociedade moderna está vivenciando. É notório que os consumidores não estão mais olhando apenas o produto, mas também a postura das empresas em relação à força de trabalho, aos seus fornecedores, ao meio ambiente e às mudanças climáticas. Trata-se de uma questão de sobrevivência e de bottom line. 
 
Pesquisas no mundo todo apontam que os consumidores dão preferência a produtos e serviços de empresas éticas, transparentes e compromissadas com a sustentabilidade de suas condutas, produtos e cadeia de suprimentos.  
 
Aqui no Brasil, a Nielsen ouviu 21 mil pessoas e comprovou a preocupação com sustentabilidade e boas práticas: 42% dos consumidores brasileiros estão mudando seus hábitos de consumo para reduzir seu impacto no meio ambiente; 30% dos entrevistados estão atentos aos ingredientes que compõem os produtos; 58% não compram produtos de empresas que realizam testes em animais. 
 
Exemplo prático desse novo pensamento é o aplicativo Giki, disponível no Reino Unido, que ajuda o consumidor a escolher, na gôndola, os produtos que sigam os preceitos de mínimo impacto no meio ambiente e ética. Ou seja, com um clique, a indústria perde um consumidor antes fiel. 

Nesse novo contexto social, os produtores brasileiros que querem manter e ampliar suas posições nas cadeias globais de valor têm que estar em dia com suas práticas. E é o que o setor sucroenergético tem feito nas últimas décadas. 

Revolucionamos nossa forma de produzir.  Atualmente, 98% da colheita da cana-de-açúcar no Centro-Sul é feita de forma mecanizada, sem queima prévia; a cultura ocupa apenas 1,2% do território nacional; a expansão dos canaviais, que está mapeada via imagens de satélites, ocorreu prioritariamente sobre pastagens degradadas e não sobre biomas sensíveis, conforme determinado no Zoneamento Agroecológico da Cana-de-açúcar; passamos a gerar energia elétrica a partir de biomassa e nos tornamos a quarta fonte mais importante da matriz brasileira, com o benefício de ter baixíssimo impacto ambiental; adotamos a fertirrigação e o controle biológico, diminuindo o uso de defensivos; reduzimos o consumo de água, via uso de circuitos fechados e adoção de sistemas de limpeza de cana a seco. É importante ressaltar que, nesse processo. foi feito um grande investimento em capacitação e atualização da mão de obra do campo.

Nos últimos anos, o setor sucroenergético ampliou significativamente sua produção, sem expandir, na mesma proporção, as áreas plantadas nem comprometer a produção de alimentos. Os ganhos foram principalmente por meio de aumento de produtividade. Desde o ano 2000, o crescimento do volume de cana-de-açúcar plantada e processada no Brasil permitiu uma expansão da produção do etanol da ordem de 170%. Nesse mesmo período, houve um aumento da produção de açúcar de 120%, e o de grãos, para alimentação humana e animal, mais do que dobrou, com aumento de 110%. 
 
Importante ressaltar que a maior parte do avanço de produção se deu basicamente por meio de ganhos de produtividade, já que, no mesmo período, em que mais do que dobramos a produção de alimentos e biocombustíveis, o aumento total da área agrícola plantada não chegou a 50%.

Todas essas práticas sustentáveis garantiram reconhecimento de agências e certificadoras internacionais. Somos o país com o maior número de empresas com o certificado Bonsucro, 62 usinas de um total de 109 no mundo todo, atendendo a altíssimos padrões ambientais, sociais e econômicos. 

Em 2020, com o RenovaBio em vigor, vamos dar continuidade ao ciclo de aperfeiçoamento, com o reconhecimento da eficiência energética por meio do CBIO. Ou seja, a capacidade do produtor de fabricar mais energia limpa com menor emissão de gases causadores do efeito estufa no ciclo de vida. Quanto mais eficiente o produtor, maior a quantidade de CBIOs emitidos e, por consequência, maior renda advinda desses títulos.

Seja para nos mantermos entre os líderes exportadores de açúcar, atendendo às demandas de sustentabilidade dos nossos compradores, seja para ampliarmos nossas exportações de biocombustíveis, auxiliando países a reduzirem emissões de gases de efeito estufa, ou, ainda, para fornecer aos brasileiros produtos que atendam a seus anseios e preocupações, o setor sucroenergético estará pronto. Reinventando-se constantemente, com comprometimento com a sociedade e o meio ambiente.