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Luciano Sanches Fernandes

Cerradinho

Op-AA-01

A valorização dos mercados internos conquistados

Em primeiro lugar, gostaria de destacar o trabalho que foi desenvolvido na região de Catanduva por algumas unidades associadas à APAC, Associação dos Produtores de Açúcar, Álcool e Aguardente de Catanduva, com o objetivo de incentivar a venda local de carros a álcool. Foram realizadas campanhas com o pagamento de comissões diretamente aos vendedores de carro das concessionárias e bonificações para os compradores do carro a álcool.

Este programa também envolveu alguns postos da região, que asseguraram ao comprador do carro vantagem econômica em relação à gasolina. Estas ações combinadas aumentaram a credibilidade na cadeia e foram as responsáveis pela geração e manutenção de uma participação bastante representativa do carro a álcool nas vendas gerais de veículos em Catanduva, que, certamente, mantém o nível per capita mais alto do país nos últimos anos.

Creio que essas ações deveriam ser aprimoradas e lançadas em todas as regiões nas quais o nosso produto seja competitivo, envolvendo desde a grande São Paulo, até as regiões produtoras fora do Estado, como Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, dentre outros. É importante envolver e conscientizar os proprietários das revendas localizadas nas regiões produtoras, quanto a relevância do aumento do número de carros a álcool vendidos na região, pois toda a economia local sofre grande influência do performance da agroindústria do álcool, na qual consequentemente se inseri o mercado de veículos.

Trabalhar o mercado consumidor ao nosso redor é tarefa primordial, pois os custos de frete são menores e o álcool detém maior competitividade. Outro fator a considerar como forma para baratear os custos do álcool nas bombas é o desenvolvimento de parcerias estratégicas com distribuidoras e rede de postos, que tenham também em seu foco ou objetivo, o aumento do volume de vendas de álcool.

Várias cidades como Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro, entre outras de grande porte, muitas delas próximas de regiões produtoras, têm seus preços de venda na faixa de R$ 1,30 a R$ 1,40 por litro de álcool, o que inviabiliza a venda do produto ao consumidor. A cada dia que passa isso significa perda de mercado e credibilidade e pode afetar até o flex-fuel.

E por falar em flex-fuel quase nada tem sido feito para alavancar a venda do mais novo “filho pródigo do setor”. Graças à competitividade do álcool no Estado de São Paulo, as vendas foram até razoáveis, mas se nós tivéssemos trabalhado firme, não teríamos vendido muito mais? O que foi feito junto às montadoras ou concessionárias? Qual foi o trabalho do setor sucroalcooleiro para alavancar as vendas do flex-fuel? Isso tem tido a importância merecida?

A UNICA é uma instituição forte e representativa e, por isso, deve criar um departamento voltado para a abertura de mercados do açúcar e do álcool. Empresas associadas, com maior vocação comercial, poderiam encabeçar esse trabalho, criando algo diferente do trivial. Esse departamento deveria ter um fundo, talvez formado com álcool, voltado para aberturas comerciais e desvinculado das aprovações dos conselhos tradicionais, com autonomia para coordenar e definir as ações.

É necessário coragem para mudar, tomar atitudes e ingressar com novas idéias e pessoas com outros pensamentos. É preciso renovar! No campo político, precisamos relembrar o posicionamento do PT, expressado no seminário de março de 2.000, em São Paulo, quando o então candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o setor sucroalcooleiro era estratégico e ações efetivas deveriam ser tomadas para seu crescimento.

Baseados nessa declaração devemos cobrar ações concretas, como uma desoneração fiscal de seus produtos, pois, se é ecologicamente correto, e gera mais empregos, precisa ser menos onerado da enorme carga tributária que tem. Outro movimento a ser retomado seria a coalizão dos governadores dos Estados produtores de álcool “Pró Etanol”, para que o ICMS do álcool diminua e seja favorecido o seu consumo.

Todas as ações devem ser coordenadas de forma a envolver os legislativos estaduais e o federal. As unidades devem buscar os deputados com os quais têm relacionamento para agirem de maneira sincronizada. Temos que abrir espaços no mercado ao nosso redor, pois ele já é nosso e só depende de nossas ações estratégicas. O sucesso dessas ações depende apenas de uma boa gestão para garantir ao consumidor uma boa paridade no preço do álcool em relação à gasolina.

Também, não podemos concordar com essa concorrência desleal do gás, que tem preços subsidiados, com um valor muito menor que o cobrado para o gás de cozinha. Essa situação não é politicamente coerente, socialmente adequada e mercadologicamente correta. Temos que levar esse absurdo para a mídia e dar conhecimento desse fato à opinião pública, para que haja uma equalização correta nos preços. Não podemos ficar parados vendo milhares de veículos a álcool serem convertidos a gás e avançarem dia-a-dia sobre nossos mercados. Devemos investir em mercados externos, mas sem deixar de proteger os espaços internos já conquistados. Prefiro um passarinho na mão, a dois voando!