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Celso Luiz Tavares Ferreira

Vice-presidente de Operações e Engenharia da Atvos

Op-AA-55

Fazendo a lição de casa
O ano de 2017 terminou com uma boa notícia para o setor sucroenergético. A aprovação da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) no Congresso Nacional.O programa reforça não somente os atributos e diferenciais ambientais do etanol e da bioeletricidade, como chancela a importância que o Brasil dará nos próximos anos para a bioenergia, dentro da matriz energética nacional, em linha com os compromissos assumidos no Acordo de Paris (COP21) para a redução de emissões de gases causadores do efeito estufa.
 
Enquanto ainda são discutidos os próximos passos a serem dados para a implantação do programa, a indústria sucroenergética tem a obrigação de continuar fazendo a lição de casa. Que me perdoem o trocadilho, mas não podemos encarar o RenovaBio como a “salvação da nossa lavoura”.
 
O setor sofreu demasiadamente nos últimos anos com a ausência de políticas públicas claras que culminaram no fechamento de dezenas de usinas e, consequentemente, de milhares de postos de trabalho. É preciso manter os pés no chão para prosseguir a produção com total concentração na excelência e na sustentabilidade das operações, no controle dos custos e na segurança das equipes e instalações, além da qualidade dos produtos, já reconhecida mundo afora.

Mesmo diante das adversidades impostas nos últimos anos, provamos nossa capacidade de entrega e de superação. Avançamos muito no que diz respeito ao uso e à aplicação de novas tecnologias, e isso, sem sombra de dúvidas, está diretamente relacionado aos fatores mais importantes de um setor de commodities: produtividade, competitividade e equipes engajadas. 
 
A Atvos completou 10 anos de atuação em 2017. A empresa produz, por safra, cerca de 2 bilhões de litros de etanol, 600 mil toneladas de açúcar VHP e 3,1 mil MWh de energia elétrica a partir da biomassa. Como responsável pelas operações da empresa, posso dizer que tivemos que superar os mais diferentes desafios nesse período, até nos tornarmos uma das referências nas novas fronteiras agrícolas do Brasil.

E isso só foi possível graças a uma gestão empresarial que visa à excelência de performance e tem visão de longo prazo no setor. A Atvos sempre acreditou na recuperação do setor e seguiu seu plano de investimentos, contando com o fortalecimento da disciplina operacional e a aplicação das avançadas tecnologias disponíveis em todo o processo produtivo. 
 
No meu entendimento, a palavra-chave para o êxito nas operações agrícolas, industriais e de manutenção é planejamento: buscamos sempre consolidar nosso planejamento como um pilar para sustentação das alavancas de produtividade. Produtividade no campo: Na área agrícola, temos um foco muito grande na busca incansável pela qualidade, nas mais diversas frentes de atuação. Planejamento agrícola, preparo adequado do solo, utilização de mudas sadias e adaptadas às regiões em que estamos presentes são alguns exemplos dos ganhos de produtividade no campo que corroboram para os resultados que perseguimos.

Aliamos isso ao uso de tecnologias avançadas e mais eficientes, como piloto automático, Veículos Aéreos não Tripulados (Vants) e plantadoras automatizadas, que, associadas à formação das equipes, transformam a estratégia pensada em realização no campo e nos resultados.
 
Com o manejo varietal, por exemplo, buscamos aprimorar e racionalizar a distribuição das variedades pelo canavial. Para isso, selecionamos variedades adaptadas à diversidade de clima e solos das nossas unidades e, assim, melhorar a qualidade e produção do canavial. Ter mudas sadias e com qualidade também é uma prioridade e uma condição sine qua non para sustentar uma lavoura produtiva e longeva. Nesse sentido, fornecer nutrientes em quantidades adequadas e no momento correto é fundamental, além do uso de micronutrientes e complementações nutricionais.
 
O que buscamos é a gestão da qualidade e a perenidade de nossos canaviais, por meio de um sistema que garanta a execução das diretrizes técnicas. Posso mencionar ainda a correção de solos, que proporciona que a cultura seja estabelecida em um ambiente onde ela possa expressar seu potencial produtivo, e o manejo de pragas, para monitorar a lavoura e manejar as principais pragas, com ferramentas eficazes e sustentáveis.
 
Tecnologia como aliada: Buscamos estar sempre em linha com o avanço tecnológico e com o que há de mais moderno para o aumento da eficiência do agronegócio. Mantemos permanentemente atenção à evolução tecnológica por meio de parcerias com universidades e empresas provedoras.
 
Já os Vants, por exemplo, utilizados como um importante instrumento de análise para a agricultura de precisão, emprega como matéria-prima a fotogrametria, que apresenta análises topográficas e qualitativas das propriedades do terreno, como declividade, escoamento superficial de água e geração de curvas de nível. Os dados são utilizados no estudo de viabilidade de novos arrendamentos (expansões de terreno), quantificação de falhas de plantio ou colheita, presença de ervas daninhas na produção e anormalidades do ciclo pós-colheita.
 
Todos os arquivos captados são processados pelo sistema de inteligência, que geram materiais de apoio técnico e darão suporte na tomada de decisão local para a safra. Os satélites, outra ferramenta tecnológica importante, permitem uma precisão de alcance de 5 metros, suficiente para análise real do desenvolvimento da lavoura e condições da vegetação e do solo. A tecnologia também possibilita o acompanhamento de anormalidades climáticas, como geadas, e controle ambiental. As informações chegam até 48 horas após a captação e nos dão condições de comparar o antes e o depois, o que é muito valioso para nosso trabalho.
 
Como complemento e para garantir os resultados positivos nas atividades que envolvem o plantio de cana, a Atvos utiliza um sistema de gestão da qualidade que monitora diariamente a operação para identificar eventuais desvios e corrigi-los rapidamente. Estratégias industriais: Um setor em constante transformação utiliza diferentes soluções para trazer ao mercado produtos competitivos e de qualidade . Na área industrial, podemos listar uma série de medidas adotadas para a otimização de nossos processos. 
 
Uma delas é o controle avançado de processos por meio da Lógica Fuzzy e de redes neurais, que já nos trouxeram ganhos significativos em eficiência energética nas nossas unidades. O conceito de inteligência artificial permite o autoajuste e a antecipação de desvios a partir do conhecimento do comportamento dos processos. 
 
Outro avanço é a adoção de camisas de moenda com sistema de alta drenagem. Todas as unidades agroindustriais da Atvos contam com essa melhoria tecnológica, que permite a redução da umidade do bagaço e o aumento do seu rendimento para a exportação de energia elétrica. Também em busca de uma maior otimização energética, estamos analisando a compressão de valor de baixa pressão. Esses são alguns exemplos que dão as condições necessárias para aumentarmos nossa competitividade e, assim, fazer frente aos desafios.
 
Novos horizontes: A aprovação do RenovaBio deixou claro o protagonismo que a bioenergia terá nos próximos anos e, definitivamente, coloca o etanol na agenda global de sustentabilidade. Esse panorama positivo de crescente demanda mundial por combustíveis limpos e renováveis, para fazer frente aos combustíveis fósseis, abre a possibilidade de novos investimentos no setor. Cabe a cada player se preparar para esse novo momento dentro da estratégia mais adequada para seus planos de negócios, sem deixar de lado a busca incessante pela produtividade e pela redução de custos. O futuro começa agora.