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Paulo Guilherme de Menezes Coimbra

Diretor de Corporate Finance da KPMG no Brasil

Op-AA-23

O cenário é de continuação no processo de consolidação

O setor sucroenergético apresentou, na última década, mudanças significativas. Entre elas, o forte crescimento na produção de cana e etanol devido ao aumento da frota flex-fuel, que deve representar mais de 50% da frota nacional até 2013. Isso somado ao fato de que, em algumas regiões, a venda de etanol já é superior à de gasolina.

A utilização do etanol também vem ganhando importância mundial como fonte energética alternativa ao uso do petróleo e está se destacando no cenário internacional, onde muitos países estão desenvolvendo programas para mistura do etanol à gasolina, associados a políticas ambientais. O uso de biocombustível deve apresentar crescimento relevante até 2020, o que é um fator positivo para a economia nacional, já que o etanol é o biocombustível que apresenta o custo mais atrativo, e o Brasil é o país mais competitivo em relação a custo e tecnologia.

Também vale destacar a intensa movimentação de consolidação no setor sucroenergético e os investimentos em greenfield. O etanol, como fonte alternativa, vem provocando grande interesse de investidores nacionais e internacionais no Brasil, seja através de fusões e aquisições ou de projetos de greenfield.

Quase diariamente, encontramos notícias de grandes empresas de petróleo, construtoras ou tradings relacionadas a fusões, aquisição ou joint ventures anunciando interesse em investir no setor. Um bom termômetro para avaliar a movimentação do setor e a atratividade do mesmo são as fusões e aquisições (F&A). Entre 2001 e 2006, o número de transações entre usinas variou entre cinco e dez ao ano. Já em 2007, as F&A atingiram um boom, com recorde histórico de 25 negócios.

Apesar desses resultados positivos, a crise financeira de 2008 impediu uma maior aceleração nesse movimento de consolidação do setor sucroalcooleiro. Em 2008, o número de fusões caiu para 14, o que já reflete o início da turbulência econômica, e, em 2009, a queda foi ainda mais acentuada, com apenas 12 transações entre usinas sendo realizadas.

Porém pode-se dizer que as transações ocorridas em 2009 foram maiores que a média histórica e que o setor apresentou uma retração menos acentuada que a média, sendo responsável por 2,6% do total de transações ocorridas em 2009, contra 2,1% em 2008. Quando a análise é feita pela participação de empresas internacionais no total de F&A, vemos que ela vem crescendo ano a ano, saindo de aproximadamente 40% entre 2003 e 2006, para 76% em 2007 (19 transações).

Seguindo a mesma linha em 2008 e 2009, com oito transações em cada ano, 57% e 75%, respectivamente. Muitas companhias locais passaram a ser alvos de multinacionais, mas várias delas veem o momento como época de oportunidades para expansão, em muitos casos por meio de parcerias. Esse tipo de transação tem sido bem comum nos últimos anos e tem dado origem a grandes grupos.

Além disso, alguns investidores internacionais apresentam vantagem sobre os grupos brasileiros, por causa da disponibilidade de caixa para aquisição, uma vez que as empresas nacionais apresentam alto grau de endividamento. Em relação ao perfil de investidores internacionais, é possível encontrar empresas de petróleo, alimentos, tradings, energia, private equities, construtoras, entre outras.

Outro ponto que deve ser considerado no mercado é o movimento de empresas brasileiras fazendo aquisições fora do Brasil, o que também contribui para a internacionalização do setor e mostra a vocação brasileira em alguns setores de destaque, como o de óleo e gás e de mineração, no qual empresas nacionais passaram por processos de aquisição de players internacionais, mas se fortaleceram e passaram a fazer aquisições.

Outro ponto importante é que a tendência de consolidação vem mudando a cara do setor. Se analisarmos os principais players do mercado, é possível verificar o aumento de produção e market share nas últimas safras. Diante de todos os indicativos, podemos afirmar que o cenário para o setor, nos próximos anos, é de continuidade no processo de consolidação, com a presença de players globais.