Me chame no WhatsApp Agora!

Marco Antonio Abdo Abrahão

Diretor da Pull Corporation

Op-AA-07

Serviço de manutenção: comprometimento com a produtividade

Rolamentos são pontos críticos na disponibilidade da planta em usinas. Mesmo com toda a tecnologia empregada no processo de fabricação dos rolamentos de ponta, que confere aos produtos extrema durabilidade e confiabilidade, o desgaste excessivo, a aplicação equivocada ou a instalação mal feita, podem gerar falhas nos equipamentos.

Por isso, a manutenção preventiva destaca-se com grande importância nesse contexto. Analisar e prever os rolamentos e acessórios mais desgastados e buscar substituí-los de forma racional, para se obter melhores resultados em produtividade com o investimento realizado, são fatores decisivos para a competitividade do negócio.

Exemplifico com um caso real. Um cliente contratou uma empresa para executar a manutenção de seus equipamentos. Após a análise, a empresa disse ser necessário trocar 80% dos rolamentos em questão. Ressalta-se que se tratavam de modelos de rolamentos de valores expressivos. Em dúvida, o cliente acionou o nosso departamento técnico para emitir uma segunda opinião.

Depois de analisarmos os equipamentos, chegamos ao consenso de que seria necessário substituir apenas 20% dos rolamentos. Fizemos o trabalho, aplicamos rolamentos de alta performance, e as máquinas funcionaram a todo o vapor durante toda a safra seguinte, sem nenhuma parada em conseqüência de falhas. Houve uma economia real para o cliente de mais de R$ 50 mil. Este fato não é um caso isolado.

Ainda existem no mercado empresas que buscam apenas vender sem se preocupar na consolidação de uma frutífera relação de parceria. Felizmente, elas já são em menor número do que foram num passado recente, certamente porque acabam se extinguindo exatamente pela falta de parceria, que teimam em não valorizar.

O serviço de manutenção é um processo contínuo. Cada usina tem suas peculiaridades, seus pontos críticos. Ao longo do tempo, é possível conhecer as necessidades e adaptar as melhores soluções, no caso de um relacionamento duradouro entre cliente e o prestador do serviço. Certa vez, nos chamou a atenção o alto consumo de rolamentos de um específico cliente, uma grande extratora de minerais. Mensalmente, eles solicitavam 18 rolamentos de alto valor. Uma performance realmente fora do comum.

Preocupados com a situação, pedimos uma reunião com o pessoal da manutenção e colocamos-nos à disposição para avaliar o caso. Nosso departamento técnico, com o respaldo da Engenharia da NSK e mancais Burger, desenvolveu um minucioso trabalho de investigação técnica. O grupo de avaliação localizou uma contaminação excessiva dos rolamentos.

Alteramos o sistema de vedação dos mancais e obtivemos um resultado extraordinário. Dos 18 rolamentos iniciais, o cliente passou a substituir apenas cinco peças por mês, mantendo a performance de horas trabalhadas. O mercado fornecedor de produtos e serviços vem se conscientizando de que é preciso trabalhar pela produtividade do negócio do seu cliente, com o mesmo empenho que cuida de seus próprios negócios.

Empresas de todos os segmentos da cadeia produtiva têm investido na busca de uma relação de comprometimento, de engajamento, de parceria real, e não mais apenas uma relação comercial do tipo compra-e-venda. A imparcialidade no momento de emitir o parecer técnico sobre a possibilidade de troca dos rolamentos é essencial.

Além da necessidade do conhecimento técnico das minúcias da operação das máquinas e equipamentos instalados no cliente, das particularidades e detalhes dos processos em que estejam inseridas e das condições ambientais de trabalho a que são expostas, como abrasão, corrosão, pressão, temperatura, etc, é também necessário embasar-se em um conhecimento técnico cada vez mais profundo, das especificações das multiplicidades de opções dos produtos disponíveis, para que se possa conduzir o cliente na busca da melhor escolha e solução.

Confiança é uma porta que se abre pelo lado de dentro. Para exemplificar o extremo do que pode representar uma relação de confiança entre duas empresas, recordo-me de um fato marcante ocorrido anos atrás, na anti-véspera do Natal, quando uma empresa de derivados de petróleo, instalada a mais 2 000 quilômetros de Ribeirão Preto, precisando de um rolamento de aplicação altamente crítica, requisitou-nos seu fornecimento.

O tempo disponível era curto, a época ruim, em função do funcionamento irregular do comércio, devido às festas de confraternização típicas de finais de ano. Havia a insegurança sobre a demanda de tempo necessária para fazer chegar na fábrica, em função da sobrecarga dos serviços de correio e despachos nesta época do ano.

Assim, tentando evitar todo e qualquer tipo de risco, o cliente não titubeou em solicitar que o rolamento fosse levado em mãos, por avião, por um funcionário nosso. O transporte custou mais caro que as peças. Entretanto, em situações nas quais a segurança é um item crucial, onde não se pode ter chances de erros, pois o prejuízo, se algo der errado, terá representativas proporções, a confiança ganha na relação com custos. Confiança talvez seja o maior capital que podemos construir na relação cliente-fornecedor. Sempre existirão momentos em que não se poderá correr riscos. Será em situações como estas, que o longo investimento na busca da consolidação da credibilidade em um relacionamento prevalecerá.