Alexandre Enrico Silva Figliolino

Consultor-sócio da MB Agro e Consultor da XP para agronegócio

Op-AA-62

Tenho uma visão realmente positiva do setor
Como observador atento de décadas do setor sucroenergético,  não tenho a menor dúvida em relação a externar minha visão positiva e otimista do futuro do setor, pelo menos no médio prazo, já que, num mundo altamente disruptivo como o que vivemos, fica cada vez mais difícil emitir parecer por períodos muito longos. 
 
Gosto de comparar a crise longa que o setor viveu com uma epidemia tipo gripe espanhola, que, com certeza, provocou muitas mortes, mas, por outro lado, teve sobreviventes com características genéticas apreciáveis e que foram  suficientemente fortes para resistir a um flagelo de tal magnitude. No caso das empresas sucroenergéticas, não tenho a menor dúvida de que os sobreviventes são empresas extremamente resilientes e fortes que souberam, de alguma forma, fazer a lição de casa necessária para suportar esta e outras crises que, com certeza, virão. 
 
Tenho acompanhado a verdadeira revolução agrícola em marcha nas empresas com adoção intensa de tecnologia, GPS, piloto automático, biofábricas, MPB, meiosi, cantose, drones, VANTs, novas variedades, inúmeros softwares que ajudam a implantação, manejo e CTT, além do controle de qualidade de todas as tarefas executadas nos canaviais, para citar  alguns exemplos.

Não tenho dúvida de que, num curto intervalo de tempo, vamos recuperar as produtividades da década passada e, com certeza, superá-las. As indústrias vencedoras do setor têm alto nível de eficiência e flexibilidade de mix. Produzem muita energia elétrica e estudam mais subprodutos que possam trazer um maior valor de faturamento por tonelada de cana moída, agregando muito valor.

Vejo com otimismo muito  grande também as transformações em relação a reforçar a governança corporativa das empresas com a separação entre propriedade e gestão, a formação de Conselhos de Administração com membros independentes, o tratamento sério que vem sendo dado à questão de sucessão, preparando herdeiros para serem bons sócios ou, se forem aptos, bons gestores, e a elevação do nível profissional das pessoas responsáveis pela condução dos negócios nas empresas incomparavelmente melhor que na década passada. As empresas têm que se perenizar, lembrando que ninguém é imorrível − só José Sarney −, portanto cuidar da sucessão é obrigação de todo empresário responsável, senão prepare a empresa para a venda.
 
Outro ponto muito importante e onde estamos vendo uma evolução fantástica é a diversificação das fontes de financiamento do setor, com a entrada muito importante do mercado de capitais como alternativa muito significativa. Com grande satisfação, estamos vendo várias empresas de diversos portes acessando mercado via CRAs e debêntures de infraestrutura que têm caído no gosto do investidor pelo fato de serem incentivadas. 

Lembramos que, para acessar o mercado, é muito importante mostrar resiliência a crises e boa governança corporativa, na medida em que, na sua maioria, são operações de prazos longos.

Não temos dúvida de que:
1) na medida em que o setor melhorar seu nível de geração de caixa com a recuperação dos preços do açúcar;
2) o etanol mantenha-se firme em relação à sua competitividade em relação à gasolina e sua participação no ciclo Otto mantenha-se nos atuais níveis;
3) o RenovaBio se materialize e vire realidade;
4) programas de etanol misturado à gasolina se tornem realidade na Ásia;
5) novas tecnologias de carros híbridos e a célula de combustíveis incluam o etanol como fonte energética, o ciclo de consolidação já em marcha se acelere, e isso torne realidade um setor sucroenergético nacional robusto, resiliente, profissional, sustentável em todos os seus aspectos, responsável social e ambientalmente, admirado pelo nosso povo, e que aquela imagem totalmente ultrapassada dos senhores de engenho, dos usineiros caloteiros fique definitivamente para trás, fazendo parte de um passado bem remoto.