Abel de Miranda Uchôa

Diretor-geral da SJC Bioenergia

Op-AA-62

Os sobreviventes do amanhã
Os séculos de existência do setor sucroenergético retratam histórias grandiosas, cheias de grandes evoluções. Essa realidade pode ser facilmente percebida a partir dos primeiros registros, iniciando com os engenhos banguê de tração animal, passando pela evolução industrial dos engenhos a vapor, à introdução de novas variedades ao controle do Estado (IAA), o nascimento do Proálcool, assim como a introdução à economia de mercado (fim do IAA), chegando hoje às modernas unidades de produção, sempre suportadas pela capacidade do industrial e do produtor para superar as adversidades, buscando melhores custos em atendimento da demanda interna e externa. 
 
A evolução salta aos olhos. No que se refere ao papel do Estado, é preciso encontrar cada vez mais o caminho do equilíbrio econômico e com menos intervenção estatal. O setor caminha para cada vez mais seguir com maior independência e autonomia, ou seja, está sabendo sobreviver do mercado, ainda que seja um papel difícil para um setor de transformação tão forte como esse. As principais economias mundiais têm setores com essa força, com uma presença equilibrada do Estado, que sabe atuar para criar as condições para o próprio mercado crescer e ser competitivo. O setor sucroenergético brasileiro tem essa capacidade e, há muito, está sabendo se posicionar como vanguarda e pioneirismo no mercado internacional. 
 
Com olhar atento ao presente, as empresas nacionais que atuam no processamento da cana-de-açúcar estão vivendo uma revolução. Na medida do possível, estamos utilizando em nossos processos as novas tecnologias disponíveis no mercado, que incluem, entre outras, conectividade avançada, drones no uso agrícola, equipamentos autônomos, o conceito do 4.0 na gestão agrícola e industrial, tudo isso somado a grandes investimentos em capital humano, fundamental para suportar essa transformação no campo. 
 
Esses são os requisitos básicos, mas que são essenciais para as transformações necessárias aos ajustes e nas reduções de custos, de curto e médio prazo, com forte impacto na racionalização da mão de obra. Entendo que, por esses elementos tão evidentes, a revolução chegou às nossas portas. Mas precisamos levar essa realidade para o conhecimento de toda a sociedade, extrapolando as fronteiras. Estamos na Era da Comunicação, ou da Informação, como desejarmos chamar. A sobrevivência do setor vai ser radicalmente definida pela nossa capacidade de Comunicar e Diversificar, duas vertentes criadoras dessa nova era:     
 
Comunicar: Evoluir de maneira rápida, sem precedentes, como esses séculos de tantas histórias vencedoras e inovadoras que o setor canavieiro soube construir. Nesse sentido, devemos ter estratégias arrojadas e inovadoras para explicar e demonstrar ao consumidor e à sociedade em geral a importância estratégica da produção de combustíveis renováveis, da geração de empregos, do balanço e da extração de carbono, tão necessário ao novo mundo e que o setor vem realizando.

Diversificar: Estamos na Era da Revolução Industrial dos sites canavieiros, hoje ativos nos 12 meses do ano, processando cana-de-açúcar, milho e sorgo, e produzindo etanol, açúcar, energia (bagaço, vinhaça, gás metano), biodiesel, proteína (ração), levedura (ração), gás carbônico (carbonatação e envase), água, etc. Estamos fortalecendo o crescimento para novas indústrias de transformação dentro do site, o que reduz radicalmente os custos dos produtos primários, nos mantendo de forma competitiva no mercado global cada vez mais exigente no que se refere às novas práticas que levem em conta a sustentabilidade e o respeito às comunidades e às futuras gerações. 

Se considerarmos a energia elétrica, um dos veículos da transformação, senão o maior, vale um comentário à parte. Com poucos detalhes, podemos dizer que a reengenharia em processo, como coluna a vácuo, caldeiras de leito fluidizado, turbinas de alta performance e a queima do bagaço e da vinhaça vão incrementar fortemente nossa capacidade teórica de produção e de geração.

Não se pode esquecer da eficiência da gestão. Entendo que, olhando para o futuro, aqueles que atentarem para esse aspecto serão os sobreviventes do amanhã.