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Tirso Meirelles

Presidente do Sistema Faesp/Senar

AsAA26

Agro regenerativo: produzir melhor para competir mais
A agropecuária paulista sempre teve na inovação uma de suas principais forças. Da mecanização à agricultura de precisão, do melhoramento genético à digitalização das propriedades, São Paulo construiu uma produção diversificada, tecnificada e integrada às grandes cadeias de valor. Agora, uma nova transformação ganha espaço no campo: a agropecuária regenerativa, que alia produtividade, conservação dos recursos naturais e eficiência econômica. Mais do que uma tendência ambiental, é uma estratégia para fortalecer a competitividade de quem produz.
 
Parte de um princípio essencial: produzir preservando e recuperando a capacidade produtiva do solo. Isso envolve práticas como rotação de culturas, plantio direto, cobertura do solo, integração lavoura-pecuária-floresta, recuperação e manejo de pastagens, uso racional de insumos, bioinsumos e conservação da água. Não existe, porém, uma receita única. Cada propriedade deve encontrar soluções compatíveis com sua atividade, região, clima e capacidade de investimento.
 
São Paulo reúne condições privilegiadas para avançar nessa agenda. Temos uma agropecuária diversificada, com cana-de-açúcar, citros, café, grãos, hortaliças, frutas, florestas plantadas e pecuária de corte e leite, além de cadeias intensivas em tecnologia. Contamos ainda com universidades, institutos de pesquisa, cooperativas, empresas e produtores capazes de transformar conhecimento científico em resultado. Essa estrutura permite que a sustentabilidade deixe de ser apenas um conceito e se torne parte da gestão econômica da propriedade.
 
É justamente essa a mudança que precisamos consolidar. O produtor não pode receber apenas novas obrigações ambientais. Ele precisa enxergar retorno. Um solo bem manejado, com melhor estrutura e maior capacidade de retenção de água, tende a enfrentar com mais resistência períodos de estiagem e chuvas intensas. Práticas adequadas também podem reduzir perdas, melhorar o aproveitamento de nutrientes e aumentar a resiliência das lavouras e pastagens. Diante de eventos climáticos extremos e custos elevados dos insumos, eficiência ambiental também significa eficiência econômica.

Os mercados igualmente estão mudando. Indústrias, consumidores, investidores e compradores internacionais ampliam a atenção sobre a origem dos produtos e a maneira como são produzidos. Rastreabilidade, redução de emissões, conservação do solo, eficiência no uso da água e boas práticas ganham importância nas relações comerciais. O produtor paulista precisa estar preparado para transformar aquilo que já faz de maneira sustentável em valor, acesso a mercados e diferenciação.

Se formos monetizar, por exemplo, as terras preservadas nas propriedades rurais, passaremos de US$ 1 trilhão. Porém, no campo, todos sabem que preservar matas ciliares e os cursos hídricos, assim como as matas, que garantem a qualidade do solo, não tem preço.

Pequenos e médios produtores merecem atenção especial, pois enfrentam maiores dificuldades para acessar tecnologia, crédito e mercados diferenciados. É nesse ponto que o Sistema Faesp/Senar, os Sindicatos Rurais e a assistência técnica têm papel estratégico. Precisamos levar conhecimento até a propriedade, demonstrar resultados e permitir que cada produtor identifique as práticas que façam sentido agronômico e econômico para sua realidade.

A Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) é fundamental nesse processo porque une produção e gestão. Não basta recomendar uma prática ambientalmente correta. É preciso medir custos, produtividade, margem e retorno. Sustentabilidade sem viabilidade econômica não se sustenta. O produtor precisa gerar renda, investir, empregar e criar condições para que a próxima geração permaneça no campo.

Também devemos aproveitar a capacidade científica e tecnológica de São Paulo. Bioinsumos, agricultura de precisão, inteligência artificial, monitoramento remoto e manejo inteligente da irrigação podem ampliar os resultados da produção regenerativa. O desafio é aproximar pesquisa, tecnologia e assistência técnica para que essas ferramentas sejam acessíveis a propriedades de todos os tamanhos.

Agropecuária regenerativa não significa produzir menos para preservar mais. Significa produzir melhor, recuperar recursos naturais e aumentar nossa capacidade de competir. Quando protegemos o solo, conservamos a água, incorporamos tecnologia e aperfeiçoamos a gestão, protegemos também o patrimônio e a renda do produtor. 

Esse é o caminho que defendemos: sustentabilidade que gere renda, inovação acessível e políticas que valorizem quem preserva enquanto produz. Regenerar o campo é também regenerar oportunidades. Transformar sustentabilidade em competitividade é preparar o produtor paulista para liderar a agropecuária do futuro.